segunda-feira, 29 de setembro de 2008

"Coliseu" (por Fernanda Cury)


Sem dúvida, o Coliseu é um dos monumentos mais fantásticos de Roma, tanto que foi listado entre uma das sete novas maravilhas do mundo.

Construído em 72-80 d.C, foi inaugurado por Tito que declarou cem dias de jogos comemorativos, onde houve o massacre de muitos animais selvagens e de seres humanos.

Não se pode ignorar que o Coliseu foi edificado ao redor de uma arena central, onde espetáculos sangrentos atingiam seu apogeu. O mais interessante é que cenas horripilantes entretinham e divertiam o povo, como se pode observar no filme "O Gladiador".

Os gladiadores eram como tidos como heróis. Alguns eram aristocratas ou homens livres que perderam suas fortunas e decidiram se tornar gloriosos. A maior parte, no entanto, era formada por criminosos condenados e prisioneiros de guerra que eram entregues à morte em combates com outros homens ou com animais selvagens... Quanto mais atroz era a violência empregada, maior a emoção despertada...

Bom que o Coliseu, palco de espetáculos sanguinários, tenha se transformado hoje em um local onde as pessoas apenas buscam um pouquinho da história dessa civilização que deixou tantas marcas... Embora ainda se possa imaginar homens e animais sendo entregues à morte, prefiro imaginar que esse anfiteatro, um dia, poderá ser o cenário de novas e humanas histórias...

De qualquer forma, visitar o Coliseu é voltar no tempo, onde talvez tenhamos sido gladiadores, imperadores, leões, donzelas sofrendo pelo amado...

"Fórum Romano" (por Fernanda Cury)


Talvez um dos meus lugares preferidos em Roma seja mesmo o Fórum Romano, onde passeamos, à vontade (sem nenhuma frescura), por um museu a céu aberto... Mas se aceita um conselho, permita-se vê-lo de vários ângulos. Não apenas por dentro, mas também em um passeio descompromissado pela Via Dei Fori Imperiali... Também faça caminhos diferentes, vindo do Palatino ou do Capitolino.

Assim, terá a oportunidade de ver também o Fórum, a Coluna e o Mercado de Trajano, o Arco de Constantino, a Casa dos Cavaleiros de Rodes, o Fórum de Augusto, de Nerva e de Júlio César, curtindo uma paisagem histórica inesquecível, que conta parte da história do Império Romano.

Depois, delicie-se com construções históricas como o Arco de Sétimo Severo, erguido em celebração às vitórias do imperador no Oriente Médio, o Templo de Vesta e a Casa das Virgens Vestais, onde sacerdotisas cuidavam da chama sagrada, desfrutando de privilégios, a Cúria, que era o Senado do século III depois de Cristo. Também se entretenha com o Templo de Castor e Pólux, o Arco de Tito, a Basílica de Maxêncio e Constantino, o Templo de Vespasiano, o de Saturno e o de Antonino e Faustina. E não se esqueça de fazer a "via Sacra", onde heróis republicanos participavam de procissões triunfais.

Depois de sujar os pés de uma poeira branca, deixe-se ficar sob a sombra de uma árvore, tomando uma água fresquinha, e imaginando-se na Roma de muitos séculos atrás...


"Basílica de San Pietro" (por Fernanda Cury)



Vaticano 40º... Calor de derreter... O suor descendo pelas pernas... Para "aliviar", ainda somos obrigadas a cobrir o "pecaminoso" colo... Questiono-me se minhas roupas são mesmo desrespeitosas ou se é mesmo a Igreja Católica que, para se manter, tem que nos transformar em pecadores implorando pelo perdão divino...


A verdade é que, desde os tempos da "santa" inquisição, pergunto-me quem são os fiéis e os infiéis, os cristãos e pagãos... Mas essa é outra história...


Já conhecia a Basílica, da minha primeira viagem, e não posso dizer que não a acho imponente, grandiosa... Mas esse exagero de arquitetura e riqueza, ao mesmo tempo que me encante, incomoda-me... Talvez porque sou uma pessoa avessa ao poder... Seja ele religioso, político ou econômico... E a Basílica representa todos esses poderes, concomitantemente.


Como todos aqueles que escrevem sobre a Basílica provavelmente irão tecer-lhe enormes elogios, ficarei com as críticas, tendo plena consciência de que não ofendo a Deus, meu pai, nem Cristo, meu irmão, porque acredito que eles são onipresentes e nem precisam de "morada", já que habitam dentro de nós.


Assim, ouso afirmar que é desumano que as pessoas sejam obrigadas a se cobrir em um calor de 40º, correndo risco de desidratação. Conseguir chegar à cúpula da igreja é sem dúvida alguma pagar todos os pecados.


Primeiro porque a escadaria é interminável. Depois porque vai estreitando, estreitando, estreitando, até que caiba apenas uma única pessoa. Imaginem que o lugar não tem praticamente ventilação e naquele cubículo forma-se uma fila de centenas de pessoas... Ao final, com o claro e a falta de ventilação, o cheiro é praticamente insuportável... No final do percurso, subimos uma escadinha em caracol e nos seguramos em uma cordinha...


Sinceramente? Não aconselho a ninguém que tenha mais idade, problemas de coração, de respiração, ou ainda que tenha claustrofobia...


De qualquer forma, se quiserem enfrentar o sofrimento, respirem fundo e subam, subam, subam... Ao final, se Deus quiser, como presente, uma vista aérea do Vaticano e de Roma...

"Capela Sistina" (por Fernanda Cury)


Quem vai a Roma, não pode perder a viagem... Fazer uma visita ao Museu do Vaticano é essencial para se compreender o poder da igreja católica até hoje e para conhecer o trabalho de grandes gênios da pintura, como Michelângelo, Perugino, Boticelli, dentre outros.

Impossível não ficar boquiaberto, vendo cada uma das obras (Adão e Eva, A Criação, O Sacrifício, o Dilúvio e a Embriaguez de Noé, o Juízo Final, Sibilas e Profetas, Cenas da Salvação do Velho Testamento e Antepassados de Cristo, Cenas da Vida de Cristo, Dando as Chaves a São Pedro, Cenas da Vida de Moisés e O Castigo dos Rebeldes).

Os afrescos não são mera decoração, mas as pinturas contam a história cristã, construindo fortes argumentos teleológicos e ligando o Velho e o Novo Testamento, através da passagem em que Cristo passa as chaves da Igreja a São Pedro, que representa justamente seus sucessores: os papas.

Não é difícil imaginar que a arte da capela foi encomendada por um dos papas (Sisto IV), com vistas a demonstrar a autoridade papal, em uma época em que ela se mostrava enfraquecida.

Se o trabalho fortaleceu ou não a Igreja Católica (e os papas), isso é outra história, mas a humanidade, sem dúvida nenhuma, recebeu um presente divino, que pode ser visto entre cotoveladas e pedidos "gritados" de silêncio, num lugar sagrado.

domingo, 28 de setembro de 2008

"Linha de Passe" (por Fernanda Cury)

Na semana passada, tive a oportunidade de assistir ao filme brasileiro "Linha de passe", de Walter Salles, que está em cartaz em várias salas de cinemas da cidade.
Trata-se do retrato de uma família de classe baixa, que mora na zona leste de São Paulo, e que vivem em um impasse. Mostra a vida de quatro irmãos, com seus sonhos e ilusões, com suas certezas e contradições, com suas alegrias e tristezas, com suas verdades e mentiras, com sua força e suas fraquezas...
Entre os personagens principais, temos o irmão menor, ligeiro, esperto, que passa o filme inteiro em busca do pai não conhecido, o jogador de futebol, que sonha em tornar-se profissional, o motoboy que já é pai, mas ainda é irresponsável e acaba entrando para o mundo da criminalidade, e também o "crente", que é colocado em uma situação limite e agride o chefe, depois de ser por ele maltratado e injustiçado. Por fim, temos a mãe deles todos, que trabalha como empregada doméstica e está novamente grávida ninguém sabe de quem.
O filme mostra todas as pressões do dia-a-dia vividas por cada um dos personagens, que são colocados em uma "linha de impasse". Mostra as dificuldades porque passam todos eles, em um país sem muitas oportunidades. Também, de alguma forma, discute a questão da grande natalidade, nos locais mais pobres, mais carentes.
Através de interpretações brilhantes, vivemos a dor e as desilusões de cada um dos personagens, ficando clara a dureza da vida de milhões de brasileiros...

"A festa de Abigaiu" (por Fernanda Cury)

A peça "A festa de Abigaiu", do autor Mike Leigh, dirigida por nosso professor Mauro Baptista Vedia, em cartaz no Teatro Augusta, foi muito elogiada pela "Vejinha" São Paulo, e é um bom programa para quem quer dar boas risadas embaladas pelo humor negro.
Trata-se de um retrato da década de 70, no auge do consumismo de massa e da cultura pop, mostrando ainda a crise porque passa a instituição do casamento, em todas as classes sociais, e principalmente na classe média.
Os personagens trazem à tona, através de vozes e falas caricaturadas (que são propositais e deixam a peça ainda mais interessante), suas vidinhas vazias e comuns, sem muita graça, sem nenhuma emoção, seu individualismo, sua insatisfação no casamento, a competição...
Embora pareça uma peça bobinha, sem conteúdo, que causa muitos risos, fica claro o tom de crítica, de denúncia, inserido no texto... Vale a pena assistir...

"Ensaio sobre a Cegueira" (por Fernanda Cury)

Acabo de sair do cinema e ainda estou impressionada... Ando pelo shopping Frei Caneca, refletindo sobre "Ensaio sobre a cegueira"... Um filme fantástico de Fernando Meirelles, que é uma adaptação do livro de Saramago.
Arrepia pensar como algumas pessoas sabem mesmo desnudar as almas humanas, arrancar suas máscaras, mostrar o íntimo do homem, com os seus defeitos, com as suas fraquezas, com a sua verdade. Se Machado de Assis é um grande analista da alma humana, o mesmo podemos dizer de Saramago, que, em seu ensaio, coloca os homens em situação limite, fazendo com que eles sejam obrigados a mostrar a sua face.
Fernando Meirelles traduz em imagens a reação dos homens a uma epidemia de cegueira, que, aos poucos, torna-se coletiva... Os primeiros infectados são trancaviados para que não transmitam a doença para mais ninguém e passam a viver em condições sub-humanas. Nesse inferno, para piorar ainda mais a situação, surge uma liderança maligna que tortura os demais, privando-os dos alimentos... Primeiro, as pessoas são obrigadas a abrir mão de seus bens para receberem parte dos alimentos. Findos os bens, obrigam as mulheres a lhes servirem sexualmente para que todos possam comer...
A situação se torna insustentável quando uma das mulheres é morta "a porradas", porque é meio "mosca morta" na cama... Isso gera uma revolta tão grande que a esposa do médico, que se fingiu de cega, mas era imune à doença, acaba praticando um homicídio...
Bem, não vou contar todo o filme, senão, evidentemente, perderá toda a graça... Mas corra ao cinema... Vale a pena assistir a esse filme e refletir acerca das mazelas humanas... A cegueira é apenas uma metáfora para que possamos pensar e repensar o ser humano, em situações limites a que estamos sempre sujeitos...